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Caminho do Pix: R$ 10 milhões viraram propina para políticos e diretor de hospital em Sidrolândia

há 6 horas
3 min de leitura
Hospital Municipal de Sidrolândia. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)
Hospital Municipal de Sidrolândia. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Operação Dirty Pix revelou como funcionava esquema que desviou mais de R$ 18 milhões do hospital de Sidrolândia


Investigação do Ministério Público revelou como quase R$ 10 milhões repassados pelo Hospital Municipal de Sidrolândia para duas empresas foram parar nas mãos de políticos, servidores públicos e diretores da instituição.


Tudo consta no relatório do Gaeco sobre a Operação Dirty Pix, que levou três pessoas para a cadeia: o presidente do Hospital Municipal Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breure, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o ex-assessor político Júlio César Alves da Silva.


Foram afastados dos cargos os secretários municipais Enelvo Júnior (Desenvolvimento Econômico) e Cleyton Teixeira (Agricultura), além dos vereadores Cledinaldo Cotócio (PSDB), Adavilton Brandão (MDB) e Izaqueu Diniz (PSD).


Os relatórios periciais mostram que as empresas Farma Medical e NSR Comércio (Pharbox), ambas com sede em Manaus, serviram como ponte para a distribuição de propina e lavagem de dinheiro no final de 2022.


O dinheiro é proveniente de convênios públicos que foram utilizados pelo hospital para obras de reforma e compras de suprimentos médicos. No entanto, o MP aponta que o grupo criou uma ‘gordura’ para desviar a maior parte desses recursos.


O caminho do Pix passava por empresas de Manaus


Organograma elaborado pelo Ministério Público revela o caminho da propina, começando pelo convênio público e terminando nas mãos de investigados. (Reprodução)
Organograma elaborado pelo Ministério Público revela o caminho da propina, começando pelo convênio público e terminando nas mãos de investigados. (Reprodução)

Entre outubro e dezembro de 2022, a Farma Medical — sediada em Manaus — recebeu R$ 3.562.878,43 da Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, responsável pelo hospital. Nesse mesmo período, a empresa repassou R$ 625 mil diretamente para investigados. 


Os investigadores frisaram que os pagamentos de propinas coincidiam com os valores depositados pelo hospital à empresa: “Numa simetria temporal que coincide com o montante considerável de recursos que ela — a Farma Medical — recebeu de hospitais e fundos de saúde vinculados a órgãos públicos, principalmente no Hospital de Sidrolândia. Não restando dúvidas de que os repasses para esses investigados se realizaram apenas e tão somente em razão do pagamento que o hospital de Sidrolândia fez para a empresa Farma Medical”.


Entre os beneficiados pelos repasses da Farma Medical, estão Júlio Cesar Alves da Silva, que recebeu R$ 390 mil; Julia Carla Nascimento, apontada como intermediadora na distribuição de dinheiro a vereadores, com R$ 100 mil; a servidora municipal Adriele Nogueira Trelha (diretora administrativa), com R$ 90 mil; além do vereador Cledinaldo (R$ 25 mil) e o secretário Cleyton (R$ 20 mil).


A segunda empresa utilizada no esquema, a Pharbox, recebeu R$ 6.223.591,70 do hospital. Desse valor, repassou R$ 257,5 mil para Júlio Cesar Alves da Silva e R$ 100 mil para Adriele Nogueira Trelha. A perícia identificou a fragmentação constante dos pagamentos, com múltiplos saques e transferências via Pix sem identificação de remetente ou destino, técnica utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro pelos órgãos de fiscalização.


Renda baixa, movimentação milionária

Os dados bancários apontam forte desproporção entre a renda declarada dos investigados e os valores movimentados. Julio Cesar Alves da Silva exercia o cargo de assessor político com salário de R$ 4,1 mil mensais, mas movimentou R$ 2,4 milhões entre 1º de setembro de 2022 e 31 de janeiro de 2023.


Do total recebido, R$ 390 mil vieram da Farma Medical, R$ 257,5 mil da Pharbox, R$ 100 mil de transferências próprias, além de R$ 12,9 mil de Julia Carla, R$ 10 mil de Adriele, R$ 3,5 mil de Cledinaldo e R$ 1 mil de outro investigado no esquema. Ele ainda repassou R$ 303 mil para outros investigados do grupo.


Já Adriele Nogueira Trelha mantinha o cargo de diretora administrativa municipal com salário de R$ 1,5 mil, mas movimentou R$ 1,4 milhão no mesmo período de cinco meses. Os extratos mostram transações sucessivas entre a servidora, empresas fornecedoras do hospital e outros investigados.


No topo do fluxo financeiro, o então presidente do hospital, Jacob Meeuwis Breure, movimentou R$ 42.856.122,83 entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, sendo R$ 20,9 milhões em entradas e R$ 21,9 milhões em saídas. 


As análises confirmam que Jacob recebeu R$ 70 mil diretamente da conta de Adriele, integrando a rede de repasses fracionados mantida com recursos da saúde do município.



Fonte: Midiamax




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