Com R$ 87 milhões de verba pública, Consórcio bancava funcionários em garagem particular

Interventor classifica fato como um dos muitos exemplos da má gestão dos empresários do ônibus em Campo Grande
Investigados por supostos desvios de R$ 46 milhões, os donos do Consórcio Guaicurus estão envolvidos em novo fato que aumenta as suspeitas de fraudes fiscais.
A concessionária está sob intervenção desde o dia 16 de junho e irá embolsar, até o fim do ano, cerca de R$ 87,5 milhões em verba pública, somente referente a 2026.
Conforme informado pelo diretor-presidente da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) de Campo Grande, Paulo da Silva, a concessionária pagava salário de funcionários de garagem que não pertence à concessão do transporte público.
Ao Jornal Midiamax, Paulo da Silva adiantou o caso, que constará no primeiro relatório da intervenção. “Nessa garagem, tem funcionários sem fazer nada, que recebem para ficar lá. Isso aqui [a garagem] não é mais deles [donos do Consórcio Guaicurus], ou é deles e estão escondendo patrimônio?” questionou.
A garagem está localizada no cruzamento das avenidas Tamandaré e Euler de Azevedo, no bairro São Francisco. O imóvel pertenceu a outra empresa da família Constantino — dona do Consórcio Guaicurus —, a Viação Cidade dos Ipês (que nunca fez parte da concessão).
O interventor-chefe do Consórcio Guaicurus, o advogado Aléxandro de Oliveira, disse ao Midiamax que a descoberta constará no relatório a ser apresentado à prefeita Adriane Lopes (PP).

Para o interventor, trata-se de mais um dos muitos exemplos de má gestão dos sócios do Consórcio: “Constatamos três funcionários [na garagem particular dos Constantinos] e os retiramos de lá; já tomamos providências. Estamos apurando o impacto que isso tem no custo, que afetou a folha de pagamento da empresa“, detalhou Aléxandro.
Os sócios do Consórcio são investigados — tanto na esfera jurídica quanto na administrativa da intervenção — por transferirem cerca de R$ 32 milhões à empresa, que logo depois foi extinta, sem dinheiro algum.
A suspeita é de que os empresários do ônibus tenham realizado manobra para tirar dinheiro da concessão. Tudo foi apurado na CPI do Consórcio Guaicurus na Câmara, que está nas mãos do Ministério Público, e faz parte de ação judicial.
Fonte: Midiamax






Comentários