Justiça mantém prisão de ex-dona de brechó apontada como ‘laranja’ em esquema de R$ 27 milhões

Defesa alegou que Rhayane Fanaia já encerrou vínculo com a família Jafar e estava morando em outra cidade
Acusada de emprestar o nome à sogra em contratos milionários de livros com prefeituras de Mato Grosso do Sul, Rhayane Souza Fanaia teve o pedido de liberdade negado pela Justiça e completa dois meses na cadeia.
Ela é acusada de organização criminosa e lavagem de dinheiro em esquema que desviou R$ 27 milhões dos cofres públicos, segundo investigação revelada pela Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
A defesa de Rhayane tentou revogar a prisão preventiva argumentando que a cliente já havia encerrado seus vínculos com o grupo criminoso, mudado de cidade e que sequer ocupava cargo de chefia no grupo criminoso.
Além disso, a defesa alegou inocência e tentou usar como argumento a concessão de liberdade concedida a Olívia Jafar. No entanto, o juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, negou o pedido. Na decisão, o magistrado reforçou que os motivos que levaram à prisão de Rhayane continuam válidos e que medidas mais brandas, como o uso de tornozeleira eletrônica, não são suficientes para frear a organização.
Ao indeferir o pedido de liberdade, a Justiça ressaltou que a aparente “condição de funcionária” ou “laranja” não tira a gravidade das ações de Rhayane, que atuava de forma direta no fluxo do dinheiro ilícito. O juiz ressaltou ainda a contemporaneidade dos crimes, que continuaram acontecendo ativamente, e o risco de fugas pela proximidade da região com as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.
Do brechó de roupas aos contratos de milhões
A trajetória de Rhayane passou a chamar a atenção dos investigadores pela velocidade com que seus negócios escalaram. Poucos meses após fechar um pequeno brechó de roupas em Campo Grande, a jovem abriu a Editora Avante (razão social Souza & Fanaia).
Mesmo sem estrutura física adequada nem acervo próprio para vendas em grande escala, a nova empresa passou a fechar contratos milionários com dezenas de prefeituras (como Miranda, Ivinhema, Dourados e Bonito). As compras eram feitas diretamente, sem licitação, sob a justificativa de que a editora tinha “exclusividade” de livros infantis que, na verdade, podiam ser comprados por qualquer pessoa no site de outra distribuidora.
Confira a lista dos réus na Gutenberg:
Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
Rhayane Souza Fanaia (presa) – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar)– filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
Francisco Anízio dos Santos (prisão domiciliar) – empresário;
Douglas Henrique de Melo (preso)– empresário;
Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
Heyder Bartz (foragido) – empresário.
Inácio da Silva Espíndola (não foi preso) – ex-vereador e ex-servidor comissionado da Casa Civil de MS.
Fonte: Midiamax






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