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Pivô de denúncias de corrupção no Detran-MS, despachante é solto com tornozeleira

  • 4 de mai.
  • 3 min de leitura
Despachante David Chita. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
Despachante David Chita. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

David Chita é acusado de operar diversos esquemas de fraudes no órgão


A Justiça revogou a prisão preventiva do despachante David Cloky Hoffaman Chita, réu por fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito) e em várias ações por fraudes no órgão.


Operador de esquemas de corrupção no órgão, David foi autor de denúncias publicadas pelo Jornal Midiamax de que os verdadeiros ‘chefões’ do esquema estariam sendo blindados.


A decisão da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Competência Residual, determina que o despachante ficará por seis meses com tornozeleira eletrônica.


Conforme apurado pela reportagem, David já colocou o equipamento de monitoramento.


Conforme a magistrada, David também ficará proibido de frequentar prédios do Detran e de ter contato com outros denunciados e, até mesmo, com qualquer servidor do órgão.


No fim do mês passado, a Corregedoria do Detran-MS encaminhou relatório à Polícia Civil denunciando mais de 4 mil fraudes praticadas entre 2020 e 2024 no órgão. O despachante é indicado por envolvimento em novos casos.


Neste processo de fraude, somente David estava preso, A servidora comissionada da corregedoria do Detran-MS, Yasmin Osório Cabral, ficou atrás das grades por dois meses e responde ao processo em liberdade, desde o ano passado.


Atualmente, o processo está em fase de audiências para ouvir testemunhas. No último dia 14 de abril, a juíza ouviu as testemunhas de defesa de David.


Além de David, Yasmin Osório — ex-servidora do Detran-MS — e os despachantes Hudson Romero e Edilson Cunha constam entre os réus.


Fraudes no Detran-MS

Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.


De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joia e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.


David tentou delação para acusar Beto Pereira de chefiar esquema


Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax no ano passado, David Chita apontou o deputado federal Beto Pereira (Republicanos) como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. Beto Pereira sempre negou as acusações.


O despachante afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos.


Chita é velho conhecido do grupo político do qual Beto Pereira participa e é citado em diversas investigações por fraudes no Detran-MS.


Além disso, o esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS manteve o grupo a salvo.


A delação foi oficialmente apresentada ao MPMS — inclusive, o Jornal Midiamax colaborou com as investigações, entregando pen drive com a entrevista completa de David. No entanto, por envolver deputado federal, a denúncia foi remetida à PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, que arquivou o caso. A justificativa foi por “ausência de elementos”.


Fonte: Midiamax

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