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Com 197 ônibus velhos nas ruas, Consórcio Guaicurus faturou R$ 155 milhões em 2025

  • há 18 horas
  • 3 min de leitura
Ônibus velhos do Consórcio Guaicurus ainda circulam pelas ruas de Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
Ônibus velhos do Consórcio Guaicurus ainda circulam pelas ruas de Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Empresários do ônibus dizem operar 'no vermelho', mas não querem abrir mão da concessão bilionária


A menos de duas semanas da decisão que pode decretar a intervenção no Consórcio Guaicurus, documentos revelados pela concessionária dentro do processo administrativo mostram que os empresários do ônibus tiveram faturamento bruto de R$ 155.518.719,42 em 2025.


Apesar da cifra milionária, a concessionária que detém contrato de R$ 3,4 bilhões para explorar o transporte público de Campo Grande quer o reajuste da tarifa — ou seja, bilhete mais caro aos passageiros.


A barganha dos empresários do ônibus foi feita formalmente, dentro da peça de defesa apresentada no último dia do prazo pelo Consórcio Guaicurus dentro do processo que pode decretar a intervenção.


O relatório da Prefeitura apontou que a empresa não tem condições de continuar executando o serviço e identificou diversas falhas contratuais do Consórcio.


Apesar de afirmar operar no vermelho e ser acusado há anos de manter uma frota sucateada, o Consórcio Guaicurus apela para continuar com a concessão e promete 100 novos ônibus para não perder o contrato.


O número, no entanto, é metade do que a concessionária deveria substituir. Isso porque, em janeiro deste ano, o município notificou o Consórcio a tirar imediatamente 197 veículos velhos das ruas, com idade que já ultrapassou em muito o limite estipulado no contrato de concessão.


A troca, porém, não aconteceu, e usuários continuam relatando problemas diariamente devido a falhas apresentadas pela frota sucateada.


O Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus na sua frota, sendo que 197 (42%) estão com idade acima do limite estipulado no contrato. No começo do contrato, em 2012, eram 574 veículos nas ruas.


Manifestação de passageiros contra o Consórcio Guaicurus, em 2025. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Manifestação de passageiros contra o Consórcio Guaicurus, em 2025. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Duas trocas em dez anos

A frota velha provoca prejuízos diários ao passageiro, que paga R$ 4,95 pelo bilhete. O Jornal Midiamax recebe relatos diários de usuários que reclamam da precariedade do serviço oferecido por uma empresa que faturou R$ 155 milhões somente no ano passado.


São flagrantes de porta aberta durante viagem, fogo repentino no motor, pane mecânica, goteira, atrasos constantes e superlotação.


Conforme o município, o Consórcio Guaicurus só realizou duas substituições de ônibus nos últimos dez anos. Uma em 2017, com 55 novos veículos, e a mais recente em 2023, com 71 novos veículos.


À beira da falência

Apesar da receita expressiva, os demonstrativos apresentados pelo Consórcio revelam um cenário financeiro caótico.


Conforme os balanços contábeis, o prejuízo líquido consolidado é de R$ 37.848.138,65.


Num dos relatórios da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), a agência afirma que a ‘culpa’ pelo prejuízo financeiro é do próprio Consórcio Guaicurus, que presta serviço de péssima qualidade e afugenta os passageiros.


‘De olho’ em R$ 45 milhões a mais

Em processo que tramita na Justiça, o Consórcio Guaicurus move time de advogados para defender reajuste da tarifa técnica, que é um valor a mais arcado pela Prefeitura para cada bilhete pago por passageiro. Enquanto o cidadão paga R$ 4,95, o município paga a diferença até o valor de R$ 6,57.


Essa diferença rendeu R$ 32.207.738,43 no ano passado ao Consórcio Guaicurus.


Porém, os empresários do ônibus brigam na Justiça por uma tarifa técnica de R$ 7,79 que colocaria cerca de R$ 45 milhões a mais por ano nos cofres do Consórcio Guaicurus.


Relatório técnico da Prefeitura descarta reajuste de tarifa ou mais subsídio

Relatório elaborado pela comissão que conduz o processo de intervenção do Consórcio Guaicurus apontou uma série de falhas na prestação do serviço da concessionária e sugeriu medidas administrativas ao Executivo, que pode decretar a intervenção.


O documento técnico desmonta a tese dos empresários do ônibus e conclui que “não se mostra tecnicamente viável, no atual cenário, a adoção de medidas isoladas ou pontuais de reequilíbrio econômico-financeiro”. Ou seja, é uma situação que não será resolvida com um simples reajuste de tarifa ou mais subsídios ao Consórcio.


A conclusão é que a situação é caótica e exige medidas por parte do município: “O cenário apresentado evidencia a existência de fatores que, em conjunto, comprometem a adequada execução contratual, cabendo ao poder concedente avaliar as medidas administrativas cabíveis”.


O relatório escancara a situação precária do serviço de transporte coletivo de Campo Grande, operado pelo Consórcio Guaicurus. “Os problemas não são pontuais, mas sim recorrentes ao longo do tempo.”


A comissão de intervenção tem até o dia 6 de junho para apresentar relatório final dos trabalhos e sugerir uma medida, que pode ser a intervenção. A decisão será tomada pela prefeita Adriane Lopes.


Fonte: Midiamax

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