Gaeco denuncia família Razuk por chefiar jogo do bicho e pede R$ 36 milhões de reparação
- Fabio Sanches

- há 3 dias
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Denúncia evidencia profundidade da organização criminosa que buscava o monopólio da jogatina em MS
O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL), seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025 no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7.º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.
Sucessão pelo monopólio
De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.
A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.
“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e Região”, aponta um trecho do documento.
Hierarquia familiar e divisão de tarefas
A acusação do MPMS ainda descreve uma estrutura hierárquica clara, onde o patriarca Roberto Razuk e seus filhos ocupam o topo da pirâmide.
Embora Neno Razuk exerça função de chefia operacional, a investigação ressalta que “as questões mais sensíveis à OrCrim são direcionadas e devem ser analisadas e decididas também pelo pai, Roberto Razuk”.
O poderio do patriarca contrasta com as condições de saúde do ex-deputado. Quando preso, Razuk obteve prisão domiciliar em razão da idade avançada somada à quadro pós-operatório em duas cirurgias oncológicas para remoção de tumores na bexiga e no rim. Há poucas semanas, ele precisou ser internado em hospital em Dourados, com quadro ‘gravíssimo’, segundo informou a esposa e ex-prefeita da cidade, Délia Razuk.
O documento do MPMS cita diálogos interceptados que corroboram a liderança do patriarca. Em uma das conversas, Neno Razuk orienta um subordinado a buscar o aval do pai para retomar as atividades ilícitas após uma operação policial: “Dá uma ligada pro meu pai […] ele vai te mandar isso daí, ai se ele não mandar eu vou ter que dar jeito […] Tem que começar a trabalhar logo”.
Os outros irmãos, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto, são apontados como líderes que atuam na expansão e gestão financeira do esquema. Rafael, inclusive, aparece em interceptações criticando decisões estratégicas do irmão deputado, evidenciando sua participação ativa e voz de comando no grupo.
Tentáculos na legalidade e Lotesul
A denúncia revela ainda que a organização tentou infiltrar-se em atividades lícitas para mascarar a origem dos recursos e ampliar seu domínio. O texto menciona a empresa “Criativa Technology Ltda”, formalmente em nome do denunciado Sérgio Donizete Balthazar, como um instrumento do grupo.
Segundo o MPMS, esta empresa protagonizou uma disputa judicial para suspender a licitação da “Lotesul” (Loteria do Estado de MS), um contrato estimado em mais de R$ 51 milhões anuais. A investigação descobriu que as custas processuais dessa ação judicial foram pagas pessoalmente por Roberto Razuk, o que, para os promotores, comprova a “ingerência financeira direta do líder da OrCrim nas atividades lícitas e ilícitas do grupo”.
O objetivo, segundo a acusação, seria utilizar a legalização da loteria estadual para operar, simultaneamente, o jogo ilegal, dificultando a fiscalização.
Corrupção policial
Para garantir a impunidade e o funcionamento das bancas de apostas “à luz do dia”, a organização contava com uma rede de proteção formada por policiais cooptados. A denúncia cita o Major da reserva Gilberto Luís dos Santos, conhecido como “Coronel” ou “Barba”, como peça-chave no braço armado e na inteligência do grupo.
Em um dos episódios narrados, o grupo teria planejado emboscadas e assassinatos de rivais. O documento transcreve diálogos onde se discute “acelerar” (matar) concorrentes, evidenciando a periculosidade da facção. “O próprio exercício da atividade contravencional pressupõe uma extensa rede de agentes públicos corruptos e lenientes”, destaca o Gaeco.
“Além de comprar a inércia (omissão) dos órgãos de fiscalização (ação policial), a organização criminosa ainda corrompe agentes públicos para a obtenção de informações sigilosas, a exemplo de potenciais investidas”, destaca ainda o documento.
Além da família Razuk, figuram entre os denunciados policiais militares, empresários e gerentes operacionais do esquema:
Roberto Razuk
Roberto Razuk Filho (“Neno Razuk”)
Rafael Godoy Razuk
Jorge Razuk Neto
Gilberto Luis dos Santos (“Coronel”)
Sérgio Donizete Balthazar
Flavio Henrique Espindola Figueiredo
Jonathan Gimenez Grance
Samuel Ozorio Junior
Odair da Silva Machado
Gerson Chahuan Tobji
Marco Aurélio Horta
Paulo Roberto Franco Ferreira
Anderson Alberto Gauna
Willian Ribeiro de Oliveira
Marcelo Tadeu Cabral
Jean Cardoso Cavalini
Paulo do Carmo Sgrinholi
Willian Augusto Lopes Sgrinholi
Rhiad Abdulahad
A denúncia aguarda agora o recebimento pelo Judiciário para que se inicie a ação penal.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a defesa da família Razuk informou que não foi cientificada do conteúdo da acusação e que assim que for notificada, apresentará a defesa e os devidos esclarecimentos.
Fonte: Midiamax






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