Juiz mantém denúncias contra Claudinho Serra e convoca delator para depoimento
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Processo tem 21 réus por fraudar contratos de obras em Sidrolândia investigados na Operação Tromper
O juiz titular da Vara Criminal de Sidrolândia, Bruce Henrique dos Santos Bueno Silva, proferiu decisão mantendo denúncias de corrupção contra grupo chefiado por Claudinho Serra (PSDB) — ex-secretário de finanças do município e ex-vereador de Campo Grande.
Conforme a decisão publicada nesta semana, o magistrado rejeitou as alegações das defesas de declarar inepta a denúncia e absolver sumariamente os investigados. São 21 réus por fraudar contratos de obras em Sidrolândia investigados na Operação Tromper.
Além disso, o juiz responsável pelo caso designou audiência para ouvir testemunhas e também o primeiro delator do esquema, o ex-chefe de compras municipal Tiago Basso da Silva. Eles serão ouvidos no dia 21 de julho.
Quanto aos réus, houve mudança apenas em relação à empresária Jacqueline Mendonça Leiria, que teve um dos fatos criminosos excluído de sua acusação. O juiz indica que houve erro na denúncia do MP ao não especificar qual a conduta da ré na ocasião de fraude em uma determinada licitação.
No entanto, ela responderá por crimes relacionados a outras três fraudes, pois nestes a denúncia detalhou suficientemente a sua suposta participação na criação e no uso de uma empresa (JL Serviços) para fraudar licitações de limpeza urbana e direcionar contratos sob o comando de Claudinho Serra.
A denúncia refere-se ao que foi apurado na 4ª fase da Tromper, em que a investigação chegou ao líder da organização criminosa, Claudinho Serra, segundo o Gecoc. O ex-secretário chegou a usar tornozeleira até dezembro do ano passado.
Lista de réus
Cláudio Jordão de Almeida Serra Filho – ex-secretário apontado como líder da organização criminosa
Carmo Name Júnior – ex-assessor parlamentar de Claudinho Serra
Ueverton da Silva Macedo – empresário de Sidrolândia
Ricardo José Rocamora Alves – empresário de Sidrolândia
Thiago Rodrigues Alves – ex-servidor do Governo do Estado ligado à Agesul e empreiteiras
Milton Matheus Paiva Matos – advogado de Sidrolândia
Ana Cláudia Alves Flores – ex-pregoeira da Prefeitura de Sidrolândia
Marcus Vinícius Rossentini de Andrade Costa – ex-chefe de licitações da Prefeitura de Sidrolândia
Luiz Gustavo Justiniano Marcondes – empresário de Sidrolândia
Jacqueline Mendonça Leiria – empresária de Sidrolândia
Heberton Mendonça da Silva – empresário e ex-assessor parlamentar de Claudinho Serra
Roger William Thompson Teixeira de Andrade – empresário de Sidrolândia
Valdemir Santos Monção – assessor parlamentar na Alems
Cleiton Nonato Correia – empresário dono da GC Obras de Pavimentação
Edmilson Rosa – empresário dono da AR Pavimentação
Fernanda Regina Saltareli – empresária sócia da CGS Pavimentações e Terraplanagem
Maxilaine Dias de Oliveira – empresária da Master Blocos
Roberta de Souza – ex-servidora de Sidrolândia
Yuri Morais Caetano – ex-estagiário do MPMS em Sidrolândia
Rafael Soares Rodrigues – ex-secretário de Educação Sidrolândia
Paulo Vitor Famea – ex-secretário-adjunto da Assistência Social de Sidrolândia
Saulo Ferreira Jimenes – empresário de Sidrolândia
Primeiros condenados por fraudes em Sidrolândia
Em agosto do ano passado, esse mesmo juiz proferiu as primeiras condenações da Tromper, em que cinco empresários e dois servidores municipais foram condenados a 111 anos e 11 meses de prisão por crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e também fraude em licitações.
A decisão também determinou ressarcimentos dos cofres públicos no valor de R$ 349.953,02, com juros e correção monetária.
De acordo com as sentenças aplicadas pelo juiz Bruce Henrique, o empresário Ueverton da Silva Macedo, o Frescura, foi o réu punido com maior condenação. Ele terá de cumprir 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão.
Na sequência, o também empresário Ricardo José Rocamora Alves foi sentenciado a 28 anos, três meses e 20 dias de prisão.
Roberto da Conceição Valençuela, outro empresário, condenado a 11 anos e 6 meses de prisão;
O empresário Odinei Romero de Oliveira, sentenciado a 4 anos, 9 meses e 18 dias de prisão;
Ewerton Luiz de Souza Luscero, também empresário, condenado a 15 anos e 9 meses de prisão;
O servidor público Flávio Trajano Aquino dos Santos, condenado a 8 anos e 4 meses de prisão;
César Augusto dos Santos Bertoldo, servidor público, condenado a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão.
Claudinho foi preso e denunciado em nova fase da Tromper
Claudinho foi preso no dia 5 de junho de 2025, junto do assessor Carmo Name Júnior e do empreiteiro Cleiton Nonato Correia (GC Obras). Todos já estão soltos e livres de tornozeleira.
Os argumentos levantados pela investigação que basearam a prisão do político foram justamente o fato de ele ter apenas R$ 410 na conta, enquanto morava em condomínio de alto padrão e andava com carros de luxo.
“A denotar na plena possibilidade da permanência do envolvimento ilícito entre os agentes delitivos no percebimento ou repasse de vantagens indevidas oriundas dos contratos ilegais firmados anteriormente, que sob as mesmas linhas do juízo a quo, eleva o entendimento de que a liberdade provisória, ainda que aplicada mediante cautelares antes concedidas, não surtiu os efeitos necessários”, dizia a fundamentação do pedido.
Como funcionavam as fraudes
Com as primeiras fases, a investigação identificou a organização criminosa voltada às fraudes em licitações e contratos administrativos com a Prefeitura de Sidrolândia.
Então, o MPMS aponta na denúncia que o grupo criminoso agia para fraudar e direcionar licitações em Sidrolândia, favorecendo-se.
Com isso, desviava valores desses contratos para os investigados. Claudinho, então secretário de Fazenda do município, seria mentor e teria cooptado outros servidores.
Aliás, a nova investida das autoridades contra o esquema de corrupção chefiado por Serra atingiu diretamente o núcleo familiar do político. O pai, Cláudio Jordão de Almeida Serra, e a esposa, Mariana Camilo de Almeida Serra — filha da ex-prefeita de Sidrolândia Vanda Camilo —, foram indiciados.
Fonte: Midiamax







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