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Licitação de usina solar na Fiems: suspeita de favorecimento pediu recuperação judicial

há 15 horas
5 min de leitura
Presidente da Fiems, Sérgio Longen. (Divulgação, Fiems)
Presidente da Fiems, Sérgio Longen. (Divulgação, Fiems)

Licitação de R$ 18 milhões de Sérgio Longen é alvo de denúncia no Ministério Público


Alvo de denúncia no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por suposto direcionamento de licitação da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), a Parisi S.A., que utiliza o nome fantasia MS Energy (CNPJ 08.075.240/0001-67), entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, alegando passivo de R$ 56,9 milhões e dificuldades para honrar compromissos com bancos.


Segundo a denúncia que será apurada pelos promotores do MP, o empresário Massimo Parisi teria feito um acordo com o presidente da Fiems, Sérgio Longen, para favorecer a venda de uma usina solar à entidade.


O documento foi apresentado ao Ministério Público um dia antes da abertura das propostas da licitação e antecipou que a possível vencedora seria a Usina San Vito Solar (CNPJ 53.326.173/0001-60), administrada pela A. P. Gestão Empresarial (CNPJ 66.847.379/0001-88), controlada por Alessia Parisi.


A empresa ligada à família Parisi passou por alterações societárias em 2026. Conforme dados da Receita Federal, a usina San Vito foi transferida para empresas ligadas à filha de Massimo, Alessia Parisi. A denúncia sustenta que as mudanças estariam relacionadas à negociação com a Fiems e à situação financeira da empresa.


O documento adiantava que o acordo seria algo em torno de R$ 18 milhões e R$ 20 milhões. No sistema da Fiems, consta que apenas uma fornecedora participou da licitação e ofereceu uma usina de geração solar por R$ 18 milhões. Atualmente, a licitação consta com status ‘em julgamento’


Status da licitação está ‘em julgamento’, sem informação sobre a única participante vencedora. (Reprodução)
Status da licitação está ‘em julgamento’, sem informação sobre a única participante vencedora. (Reprodução)

Denúncia aponta possível relação entre crise financeira e licitação

A denúncia recebida pelo MPMS associa a situação financeira da Parisi S.A. às mudanças societárias envolvendo a Usina San Vito e ao procedimento de compra aberto pela Fiems.


Segundo o documento, o edital teria sido elaborado com exigências técnicas que favoreceriam a usina apontada como possível vencedora. Reportagem anterior do Jornal Midiamax identificou coincidências entre características técnicas da San Vito e parâmetros previstos no edital, incluindo potência dos módulos fotovoltaicos e relação entre a potência dos inversores e a capacidade instalada.


O denunciante afirma ao MP que teria ouvido conversas entre Massimo e Longen “discutindo divisão de valores oriundos do faturamento da MS ENERGY, o que me causou estranheza, visto que não estão no contrato social do grupo”.


Empresário Massimo Parisi em conversa com Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems, e Sérgio Longen. (Reprodução)
Empresário Massimo Parisi em conversa com Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems, e Sérgio Longen. (Reprodução)

Em 9 de outubro, o Portal de Compras da Fiems informou que a licitação havia recebido uma única proposta, no valor de R$ 18 milhões — que permanece com status ‘em julgamento’ até a manhã desta terça-feira (13).


A apuração do Ministério Público deverá esclarecer se houve direcionamento, se as exigências técnicas tinham justificativa objetiva e se existiu algum acordo prévio relacionado à aquisição da usina.


Passou CNPJs para o nome da filha

Conforme dados da Receita Federal, Parisi abriu o CNPJ da San Vito em 2023 e, em abril de 2026, passou quatro empresas — inclusive a Usina San Vito — para o nome da holding AP Gestão Patrimonial e Empresarial Ltda., que é administrada pela filha.


A denúncia conecta a situação financeira da empresa ao acordo feito com Longen e à ‘venda’ de empresas para a holding controlada pela filha, a fim de preservar o patrimônio pessoal.


Vale ressaltar que a Fiems recebe recursos parafiscais, de natureza pública, transferidos da Receita Federal, que devem alcançar os R$ 60 milhões somente este ano.


Ligação com diretor da Fiems


Vice-presidente da Fiems e o empresário Massimo Parisi. (Reprodução, Instagram MS Energy)
Vice-presidente da Fiems e o empresário Massimo Parisi. (Reprodução, Instagram MS Energy)

A MS Energy já executou um projeto milionário da Fiems para construção de uma usina de geração de energia solar localizada no Clube de Campo do Sesi, em Campo Grande.


Em maio de 2023, a Fiems informou em seu site institucional que estava concluindo as obras de um complexo de usinas fotovoltaicas, com capacidade para produzir até 3,4 MWp de energia e investimento total de R$ 25 milhões.


A meta da entidade, conforme o comunicado, era produzir um total de 10 MWp com essas duas unidades.


Dentro do pedido de recuperação judicial que tramita na Vara Regional de Falências, Recuperação e CP Cíveis de Campo Grande, a Parisi S.A. anexou documentação que registra valores a receber de empresas e pessoas ligadas ao setor de energia solar e a relações empresariais em Mato Grosso do Sul.


Entre os nomes mencionados em documentos apresentados pela própria empresa, está o empresário Luiz Gonzaga Crosara Júnior, vice-presidente da Fiems, com crédito informado de R$ 700 mil. Crosara aparece como administrador do CNPJ criado pela Fiems para o Em Conta Energia Renovável (32.050.357/0001-70), programa da entidade para vender energia solar gerada por usinas pertencentes ao programa para consumidores.


Também consta na relação de valores a receber — de R$ 217 mil — a Alira Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ 48.411.366/0001-80), que detém parte da Usina Flor do Campo, em Anastácio, e tem como controlador Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems.


A reportagem procurou Crosara para comentar a relação com a MS Energy e se não haveria um possível conflito de interesse, caso houvesse a participação da MS Energy ou de empresas ligadas ao empresário Massimo Parisi na licitação, além de esclarecer se ele teve alguma participação na elaboração do edital. Não obteve retorno.


Também buscamos Jaime Verruck, ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, sobre a ligação dele e da Alira com a MS Energy. Da mesma forma, não recebemos resposta.


Longen e Fiems se calam

A reportagem tenta, desde o dia 6 de outubro, obter esclarecimentos da Fiems e de Sérgio Longen sobre a denúncia, tanto pelos canais oficiais de comunicação institucional como por contatos feitos diretamente com a assessoria da entidade e com o jurídico do Sistema S.


O Jornal Midiamax também tentou contato telefônico com a Casa da Indústria e o setor de licitações da Fiems para esclarecer os procedimentos do certame, mas a informação da atendente era de que todas as demandas deveriam ser feitas pelo Portal de Compras da Fiems ou por e-mail.


Também tentamos conversar com Massimo Parisi através de e-mails oficiais, pelo canal oficial de WhatsApp da MS Energy e pelas redes sociais do empresário. A reportagem também tentou contato telefônico e foi informada de que uma pessoa responsável retornaria a ligação, o que não ocorreu até o momento.


No entanto, não obtivemos respostas. O espaço segue aberto e manifestações serão incluídas no texto assim que houver retorno.


Entidades denunciam Fiems por assédio judicial contra o Midiamax

A tática de recorrer ao Judiciário para intimidar após denúncias voltou a ser usada por Sérgio Longen neste ano, após o Jornal Midiamax publicar reportagens com denúncias de suspeitas de irregularidades na Fiems.


Já são 17 ações, sendo 15 delas criminais contra 11 jornalistas. O caso gerou repercussão, e entidades em defesa da liberdade de expressão e do direito à informação, como a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindjor-MS (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul), emitiram nota de repúdio contra a Fiems.


“O assédio judicial é uma tentativa de silenciamento de jornalistas e comunicadores que se faz pelo uso abusivo do sistema judicial, em diversas estratégias. Tanto o uso do direito penal de modo desproporcional quanto a mobilização de ações judiciais em massa reforçam o caráter de assédio deste caso”, diz o comunicado da Abraji.

A imprensa nacional também denunciou a intimidação judicial promovida pela Fiems, destacando que a ofensiva jurídica ocorre após o Jornal Midiamax publicar denúncias com suspeitas de irregularidades. O Jornal do Brasil, o Diário do Poder e a Coluna Esplanada — esta publicada em mais de 50 grandes jornais em todas as capitais do país — denunciaram o assédio judicial praticado por Longen.


Fonte: Midiamax

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