‘Abrir caixa preta da Fiems’: Landmark cobra transparência de contrato milionário
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Durante sessão na Câmara de Campo Grande, vereador cita suposta participação do vice de Sérgio Longen na entidade
O vereador Landmark (PT) comentou, durante a sessão desta quinta-feira (26) da Câmara Municipal de Campo Grande, a investigação do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) sobre contratos milionários da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de MS) com as empresas Multifer e Inovaseg. As duas pertencem à mesma dupla de empresários.
Landmark citou um suposto envolvimento do vice-presidente da entidade, Luiz Gonzaga Crosara Júnior. “São irregularidades em vários contratos, onde tem até o vice-presidente envolvido, então a Fiems tem que abrir a caixa preta”, disparou.
A entidade é presidida por Sérgio Longen. A diretoria ainda conta com três vice-presidentes, sendo Crosara Júnior o primeiro na linha de sucessão.
Para o parlamentar, a entidade vem atuando mais em favor do empresário do que do trabalhador. “A Fiems tem uma política cuidando apenas do grande empresário, e como ficam os pequenos e médios, os trabalhadores e as trabalhadoras? Então é necessário investigar todos os contratos, auditar, inclusive, com o TCU [Tribunal de Contas da União]”, afirmou.
Desde que a investigação foi aberta, o Jornal Midiamax tenta obter um posicionamento da Fiems. Até o momento, a entidade não se manifestou.
Contratos de R$ 1,5 milhão sob investigação
Os contratos somam R$ 1.502.944,07. Tanto a Multifer como a Inovaseg têm os mesmos donos.
Conforme informações oficiais da transparência do sistema Fiems, a entidade dos industriários firmou três contratos entre julho de 2022 e outubro de 2023 com duas empresas de Campo Grande.
Detentora de dois contratos, a Souza Alves & Cia Ltda. – EPP (CNPJ 07.918.676/0002-99) — com nome comercial de Multifer — firmou o primeiro contrato em julho de 2022, no valor de R$ 641.978,17, para fornecer materiais elétricos. O valor final já considera um aditivo de R$ 127.178,17 autorizado pela Fiems durante a vigência do contrato.
Em dezembro do mesmo ano, a empresa com capital social de R$ 300 mil conquistou novo contrato, dessa vez no valor de R$ 455.965,90, para fornecer EPIs (equipamentos de proteção individual).
Menos de um ano depois, em outubro de 2023, a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda. (CNPJ 37.207.553/0001-20) firmou contrato de R$ 405 mil para fornecer mais materiais elétricos para o Senai — serviço de aprendizagem que pertence à Fiems.
Detalhe é que, além de as duas empresas terem como principal atividade o comércio de ferragens e ferramentas, também possuem os mesmos sócios: Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa. As informações são públicas, conforme consulta no site oficial da Receita Federal.
O inquérito foi instaurado no dia 9 de fevereiro, pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri. Os detalhes do processo estão em sigilo.
Sede de empresa investigada fica em casa fechada
A Multifer — empresa que assinou contratos de R$ 1.097.943,00 com a Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) e é investigada pelo MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — tem sede em um imóvel na Vila Planalto, em Campo Grande. O local não tem caracterização ou identificação alguma como empresa.
A reportagem do Jornal Midiamax foi ao local e não encontrou ninguém. A campainha foi tocada, mas a equipe não foi atendida. Apenas um cachorro estava no quintal, o que indica que a casa é habitada.
Na Receita Federal, o endereço declarado como sede da matriz da empresa seria este que a reportagem visitou. A empresa detém ainda outro CNPJ como filial, que tem como endereço imóvel na Rua 14 de Julho, 97, Centro.
Investigada por contrato com a Fiems alega confusão com CNPJ de sede em casa fechada
A Multifer alegou confusão com o CNPJ (07.918.676/0002-99) registrado como sede, um imóvel residencial na Vila Planalto, em Campo Grande.
Entretanto, os empresários Diogo de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa afirmam ao Jornal Midiamax que toda a vida útil da Multifer está na filial, localizada na Vila Glória. A reportagem esteve no endereço cadastrado como sede da empresa e encontrou um imóvel residencial fechado.
Então, os sócios alegam que “na verdade, só precisa transferir o CNPJ. É que não pode ter dois CNPJ num lugar só, por causa da inscrição municipal”, explica Diogo.
Ele diz que o escritório funcionou na residência, mas hoje tudo funciona no endereço registrado na filial. O sócio ainda ressalta que atualmente todos os contratos são feitos neste CNPJ e, por isso, há um imbróglio.
“A gente não consegue cancelar aquele CNPJ, por ser uma matriz. Pra gente inativar, tem que inativar o CNPJ da filial. Aí a gente tem os contratos que estão ativos, existe histórico de fornecedor de indústria que a gente compra e tem prazo. Agora, se a gente fizer isso aí… É uma empresa nova. Imagina o cenário”, afirma Evanildo.
Por isso, segundo eles, o local onde está o endereço da sede não tem caracterização ou identificação alguma como empresa, e há mais de 12 anos o número fiscal não é movimentado.
Fonte: Midiamax







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