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Defesa de ‘Supergirl’ tenta invalidar citação em ação por fraudes no Detran-MS

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura
Yasmin atuava no Detran-MS (Divulgação e Arquivo Jornal Midiamax)
Yasmin atuava no Detran-MS (Divulgação e Arquivo Jornal Midiamax)

No começo do processo, juiz chegou a questionar quem era de fato o advogado da ex-servidora


A defesa da ex-servidora comissionada do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito), Yasmin Osório Cabral, tenta invalidar um ato processual da ação por fraudes no órgão, que também implica o despachante David Clocky Hoffaman Chita.


Na última semana, o advogado de Yasmin, Ewerton da Silva, entrou com pedido de Habeas Corpus. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, ela tenta invalidar uma citação feita nos autos para que ela constituísse a defesa.


Na época, o Jornal Midiamax chegou a noticiar que a Justiça deu dois dias para a servidora informar o nome do advogado na ação por fraude. O juiz questionou se o advogado André Stuart, que a representou no pedido de liberdade, também iria atuar na defesa da servidora na ação penal.


Agora, mais de um ano depois, a defesa tenta reverter a situação. Estratégia semelhante foi usada pela defesa de David recentemente. O Jornal Midiamax chegou a questionar sobre o pedido ao advogado Mateus Tomazini, mas não houve retorno.


Esse documento foi negado no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e a defesa recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).


Justiça ouve envolvidos no caso

O MPMS (Ministério Público de MS) denunciou David Cloky Hoffaman Chita, a ex-servidora comissionada Yasmin Osório Cabral e mais dois despachantes. Na 1ª audiência, que aconteceu no final de janeiro, as defesas de David e Yasmin preferiram não dar muitos detalhes.


Já o advogado de um dos despachantes, Mikhail Monteiro, afirmou que o cliente alega inocência e que a senha dele foi usada sem que ele soubesse. A defesa do último réu deixou o Fórum sem falar com a imprensa.


David Chita e Yasmin Osório (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
David Chita e Yasmin Osório (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Fraudes no Detran-MS

Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de pelo menos 29 veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.


De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joia e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.


Yasmin também chegou a ser presa, mas foi solta ao descobrir que estava grávida. Ela foi exonerada do Detran-MS e atualmente cumpre prisão domiciliar, com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ela foi nomeada ‘Supergirl heroína do trânsito’ em eventos educativos do Detran-MS.


Além disso, David Chita também foi condenado ano passado a seis anos, no regime semiaberto, pelo roubo de propina de R$ 270 mil, no caso da Operação Vostok.


David tentou delação para acusar Beto Pereira de chefiar esquema


Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

O despachante afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos.


Chita é velho conhecido do grupo político do qual Beto Pereira participa e é citado em diversas investigações por fraudes no Detran-MS.


Além disso, o esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS e de delegados de polícia manteve o grupo a salvo.


Na época, o despachante apresentou prints com detalhes do que relatou como pagamentos de R$ 30 mil a Pereira, todo dia 10. Já Juvenal Neto (PSDB), ex-diretor do Detran e ex-prefeito de Nova Alvorada do Sul, receberia R$ 20 mil, todo dia 20.


“E tem muito mais. O que estou contando para vocês não é nem 30% de tudo que eu sei. Tem muito mais coisas que podem aparecer se quiserem investigar e se não me matarem antes”, alertou Chita, justificando estar foragido por temer pela própria vida.

Segundo ele, mais de R$ 1,2 milhão foram repassados ao grupo chefiado pelo deputado federal no período em que o esquema criminoso operou.


A delação foi oficialmente apresentada ao MPMS, inclusive, o Jornal Midiamax colaborou com as investigações, entregando pen drive com a entrevista completa de David. No entanto, por envolver deputado federal, a denúncia foi remetida à PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, que arquivou o caso. A justificativa foi por “ausência de elementos”.


Deputado figura como mandante do esquema em inquérito policial

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul conduz quatro inquéritos que apuram esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS). Em um deles, o nome do deputado federal Beto Pereira (PSDB) é citado como suposto líder da organização criminosa e chefe da corrupção no órgão.


Fonte: Midiamax


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