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Impasse com advogado faz juíza adiar audiência sobre fraudes no Detran-MS

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
Despachante David Chita é apontado como um dos líderes do esquema de fraude. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)
Despachante David Chita é apontado como um dos líderes do esquema de fraude. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Testemunhas foram dispensadas e nova audiência foi marcada para o próximo mês


Um impasse com o advogado do despachante David Cloky Hoffaman Chita fez a 2ª audiência sobre um dos casos de corrupção no Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul) ser adiada nesta segunda-feira (2).


Isso porque o advogado Wilson Tavares assumiu recentemente a defesa de David nesta ação, que tem mais de 7 mil páginas. Assim, a defesa não teve tempo hábil de “entrevistar” o réu, o que afetaria o trabalho com as testemunhas que seriam ouvidas nesta audiência, marcada para acontecer no Fórum de Campo Grande.


Atualmente, David está preso e, por isso, a defesa enfrenta algumas burocracias na Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), como a permissão para “visitar” o réu com apenas 220 páginas dos autos — ou seja, levariam ao menos 35 idas do advogado ao presídio para repassar a ação completa.


Estavam previstas sete testemunhas para o dia, mas apenas um servidor do Detran-MS — que na época dos fatos atuava na parte técnica do órgão — chegou a ser ouvido. Após esta oitiva, Tavares teve 10 minutos para conversar com David.


Depois de rápida conversa, a defesa pediu que a Justiça adiasse a audiência, para que pudesse se inteirar sobre o processo e, assim, devidamente questionar as testemunhas. Então, a juíza Eucelia Moreira Cassal remarcou as oitivas para 14 de abril e dispensou as demais testemunhas.


‘Supergirl’ se livrou de tornozeleira

Antes da audiência começar, a Justiça já havia permitido que a “supergirl” do Detran, Yasmin Osório, fosse dispensada de acompanhar os depoimentos após pedido da defesa, pois estava com o filho pequeno.


Além disso, durante a audiência, a Justiça deliberou sobre um habeas corpus de Yasmin. Meses atrás, foi determinado que ela usasse tornozeleira eletrônica — o que não foi cumprido.


Entretanto, nesta segunda, a Justiça revogou a determinação, mas manteve as medidas cautelares, como não se aproximar de servidores do Detran.



Yasmin Osório, ex-servidora do Detran-MS. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
Yasmin Osório, ex-servidora do Detran-MS. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Fraudes no Detran-MS

Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de pelo menos 29 veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.


De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joia e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.


Yasmin também chegou a ser presa, mas foi solta ao descobrir que estava grávida. Ela foi exonerada do Detran-MS e atualmente cumpre prisão domiciliar, com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ela foi nomeada como ‘Supergirl heroína do trânsito’ em eventos educativos do Detran-MS.


Além disso, David Chita foi condenado ano passado a seis anos, no regime semiaberto, pelo roubo de propina de R$ 270 mil, no caso da Operação Vostok.


Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Beto Pereira foi apontado por David Chita como chefe do esquema de corrupção no Detran-MS. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

David tentou delação para acusar Beto Pereira de chefiar esquema


O despachante afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos.


Chita é velho conhecido do grupo político do qual Beto Pereira participa e é citado em diversas investigações por fraudes no Detran-MS.


Além disso, o esquema de propinas e fraude no sistema de cadastro do Detran-MS não é novo e foi denunciado antecipadamente em reportagem do Núcleo de Jornalismo Investigativo do Jornal Midiamax, em 2020. A Operação Gravame confirmou as denúncias e até chegou a alguns servidores, mas a suposta blindagem de políticos na atuação do MPMS e de delegados de polícia manteve o grupo a salvo.


Na época, o despachante apresentou prints com detalhes do que relatou como pagamentos de R$ 30 mil a Pereira, todo dia 10. Já Juvenal Neto (PSDB), ex-diretor do Detran e ex-prefeito de Nova Alvorada do Sul, receberia R$ 20 mil, todo dia 20.


“E tem muito mais. O que estou contando para vocês não é nem 30% de tudo que eu sei. Tem muito mais coisas que podem aparecer se quiserem investigar e se não me matarem antes”, alertou Chita, justificando estar foragido por temer pela própria vida.

Segundo ele, mais de R$ 1,2 milhão foram repassados ao grupo chefiado pelo deputado federal no período em que o esquema criminoso operou.


A delação foi oficialmente apresentada ao MPMS, inclusive, o Jornal Midiamax colaborou com as investigações, entregando pen drive com a entrevista completa de David. No entanto, por envolver deputado federal, a denúncia foi remetida à PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília, que arquivou o caso. A justificativa foi por “ausência de elementos”.


Deputado figura como mandante do esquema em inquérito policial

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul conduz quatro inquéritos que apuram esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS). Em um deles, o nome do deputado federal Beto Pereira (PSDB) é citado como suposto líder da organização criminosa e chefe da corrupção no órgão.


Fonte: Midiamax

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